Meia hora

Sob as luzes da cidade uma sombria imensidão se espalha
Um ponteiro, um sinal vermelho, vassoura, água e sabão
Sinaleira deserta, carros de passeio, buzinas infernais.
Colhe a vida por espumas, uns trocados em malabares
Uma senhora desvirtua a troca; a diversão vira trabalho. 
90 segundos de contato, velocidade zero. 
Sem acenos, sem bom dias, só um caso, um acaso, vidro de carro
Rotina andar fechado, evita o diálogo, 
Verde, e é vida que segue
Meio giro de ponteiro, meia hora está lá
De novo no ciclo, na mesma avenida, na mesma esquina.
Um mesmo lugar ! 

Clareia
























Aos olhos do dia triste e claro,
Seguindo os pássaros em direção ao sol
A chuva encontra a revoada certa e bate em retirada.
Um imenso clarão de lua ainda se exibe em meio as nuvens do dia
Era eu olhando da janela esperando alguma brecha
Da fresta da porta do quarto batia um raio de luz,
Nada como um calor, mas naquela hora o frio me levava embora,
Com as sensações noturnas de que o outro dia ainda não havia começado!

A melancolia de uma nação rachada!

Do 7x1...


Dos mais otimistas, a honra da batalha, 
Dos pessimistas, a farsa fanfarrona do, Eu já sabia ! 

De uma torcida educada, pasma, que xinga presidente e condena violência das organizadas. 

Torcida elitizada, padrão FIFA!
Ódio a essa torcida disfarçada... 
Sem ritmo, sem côro, sem bateria. 
Saudades das torcidas dos BAxVIs, dos FlaxFlu's, dos SANxSÃO, Atletibas, da Gaviões, da Mancha, da Urubuzada, da BAMOR... 
Saudades do verdadeiro brasileiro, do povo da rocinha, da liberdade, dos aflitos, da zona leste... 
Saudades da torcida que não se orgulha da Europa pelos seus bons costumes milenares de roubar culturas, genocida por esquema tático.
A minha torcida clama para lutar contra o Penta! 
O Pentacentenário de injustiças, 
Da maior humilhação de toda a história desse país... 
Ser massacrados por 7x1 não foi nada perto do que passaram os reis de angola, do congo, guiné, os kiriris, kayapós, tupinambás, guaranis, pataxós. 
Pentacentenário de um nordeste de fome, de olhos virados para as suas costas. 
A minha poesia de revolta perde a rima e a decência 
Pra falar sem paciência dessa torcida das revoltas 
Quem és tu pra falar mal desse país ? 
Quem nunca viu a fome, o desemprego, a falta de perspectiva
Quem deita e dorme sob os olhares de revistas 
Quem exalta "lar doce lar" e critica "Minha Casa Minha Vida"!
Que come na mesa caviar e fala mal do Bolsa Família, mas pede doação para o criança esperança
Que cuida melhor do seu cachorro do que muitas de nossas crianças .
Ah, eu sei bem quem você é ! Que esconde o racismo nas campanhas de banana, ó povo revoltado
Mas na primeira oportunidade, Zuniga vira macaco.
O mesmo que pagou bem pra ir ao estádio, 
Ou está na área vip e foi convidado, 
Ouvi dizer que mandar a presidente tomar no cú, é símbolo de ser revoltado!
Tomar no cú virou expressão de moda, vários alí bateram no peito e gritaram, sou FODA !! 
Mas foda mesmo é aturar essa propagação de técnicos, jogadores, políticos, eleitores pateticamente esclarecidos !! 
É um tal de entender de tudo e de todos, 
E eu me pergunto ? Será que estou certo ou errado ? 
Quem tem a razão ? E você o que me mostra como solução ?
São 200 milhões de sábios, ora insuportáveis, de tanta "sabiduria".
De achar que não são influenciáveis, que a massa é burra, e que não são como a maioria;
Mas que cantam como todos os hinos nacionais, 
Entonam os seus pseudo não patriotismos depois da derrota !
Outros que demonstram o seu conhecimento em engenharia de revolta;
Essa aliás é uma profissão nova por essas terras. 
Filipão hoje errou na escalação, mas a derrota já era certa
Vitória mesmo foi ver a cara de bunda dessa Elite padrão FIFA e Classe Mérdia ! 
O meu hino já dizia, e não mentiu ! 
Destes filhos, só és mãe por gentileza pátria amada Brasil !